Caso Marco Aurélio: Teorias



O desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio está completando 35 anos em 2020. Hoje em dia é quase uma lenda a história do grupo Olivetanos que subiu a Serra da Mantiqueira na intenção de chegarem ao Pico dos Marins e num acidente um dos escoteiros, Osvaldo, lesiona o joelho numa pedra dando sequência a todo o caso: o grupo decide cancelar a excursão e retornar a base, Marco Aurélio então se voluntaria a ir à frente “abrindo caminho” e desde então nunca mais foi visto. Caso esse que até hoje permanece sem solução.
       
Abaixo você confere as principais teorias que foram levantadas para tentar explicar de fato o que ocorreu.


Desinteligência

A série de erros acometida pelo guia Juan são tão toscos que chegam a ser duvidosos. O acidente com o joelho e a demora de quinze horas para retorna à base não teriam sido casos forjados para esconder algo que já havia acontecido?

Há quem acredite numa desinteligência entre os membros do grupo para quão Marco: durante uma discussão, no momento de tensão pelo fato de estarem nervosos e com frio, ou por qualquer outro motivo, há uma briga onde Marco é empurrado. Como ele era franzino e fraco, cai bate a cabeça ou a nuca em uma pedra e falece. Naturalmente um homicídio involuntário. Com medo de sofrerem conseqüências com a polícia, resolvem eles mesmos ocultarem o cadáver, o que acontece durante as quinzes horas – tempo suficiente para saírem e voltarem do Marins – e para concluir inventam o acidente do joelho e o fato de terem se perdido como álibi a favor deles.


Crime sexual

Os erros propositais ou não, serviram para que Juan fosse apontado como principal suspeito e até hoje mesmo sem provas há quem acredite que foi ele quem deu um fim em Marco. Numa entrevista a uma rádio local, seu Ivo revela que na época fora cogitado que Juan é homossexual daí veio à desconfiança de um possível assédio sexual contra Marco.
Nessa teoria então Juan, ao chegarem à base e não encontrarem Marco por ali, decide voltar sozinho à mata. É quando ele encontra Marco e o abusa sexualmente e o mata em seguida (por querer ou até mesmo sem querer). Após isso resolve dar um fim em seu corpo escondendo-o bem longe, afinal ele teve quatro, cinco horas para fazer isso.


Morte por hipotermia

Aproveitando esse “fato do Juan ter voltado à mata e ter ficado entre quatro a cinco horas” também leva-nos a outra teoria: ao retorna a mata ele pode ter encontrado Marco Aurélio já sem vida, ter morrido de hipotermia, e com medo de levar a culpa, ele decide ocultar o cadáver por conta própria.

           Abdução

Talvez uma das teorias que mais se fala quando se trata desse caso. Há quem acredite que o escoteiro tenha sido abduzido por extraterrestres. Isso se dá ao fato do Pico dos Marins ser uma região de forte magnetismo. Nessa teoria acredita-se que em algum momento entre as horas que Marco ficou sozinho ele tenha sido capturado por Ets e colocado em sono profundo. No domingo a noite ele então consegue fugir, mas é capturado quase chegando à base. Nessa hora ele grita e soa o apito, Juan e os outros escoteiro então ouvem e correm na direção do som e vêem luzes azuis que piscam três vezes.

Porém ao verificar mais detalhadamente notam-se contradições nessa teoria.

1.      Marco Aurélio ficou dois dias “fugindo” dos extraterrestres e somente quando estava quase chegando à base é que foi enfim abduzido?
2.      Os flashes foram visto em uma mata fechada e não no céu. Teoricamente a nave voa e não a teriam visto-a indo embora?! E como uma nave entra numa mata fechada?

Sequestro

Para os mais céticos a teoria mais plausível é a de sequestro. Desde um grupo de malfeitores que também acampou por ali perto (teoria completa aqui) a uma seita intitulada Borboleta Azul que dizia realizar rapto de crianças.
Há também um relato de um casal de japoneses que teriam passado por Marmelópolis (MG) em um carro de luxo e perguntado como podiam chegar à base da montanha. Nunca mais foram vistos.

Outro fato que foi totalmente esquecido por muitos, na terça-feira (11), três dias após o desaparecimento, às 7h percebe-se um incêndio alastrando e tomando conta de toda vegetação na parte baixa do Marins. Então as buscas são suspensas e os bombeiros se concentram em conter o fogo, que levou aproximadamente quatro horas. Apesar da desconfiança, ninguém investigou as causas do incêndio, que nos leva a crer que talvez tenha sido proposital para desviar a atenção ou até mesmo apagar possíveis vestígios.

Recentemente, hoje homem, o ex-escoteiro Osvaldo, quem havia lesionado o joelho, deu uma entrevista esclarecedora para o canal Programa Conexão Ufo numa live no YouTube (Clique aqui) e confessou que desde quando chegou ao local de acampamento ele sentia como se estivessem sendo constantemente observados. E na noite que antecedeu a subida ao morro, quando foi dormir ele ouviu passos próximos a barraca. Na manhã seguinte outros escoteiros disseram ter ouvido também.

           Caiu numa fenda

Outra teoria que até foi verificada na época e hoje é quase que esquecida, é a possibilidade de Marco Aurélio ter caído em uma fenda durante o momento em que se separou do grupo e voltava rumo à base. Acontece que o Pico dos Marins possui muitas fendas e crateras profundas coberta de vegetação. O escoteiro como todos sabem tinha apenas trinta e cinco por cento da visão, acredita-se então que num dado momento ele caiu em uma fenda profunda. Nos dias de buscas, bombeiros chegaram a checar esses locais, mas as cordas não alcançavam o fim das fendas e crateras, impossibilitando assim de verificar com exatidão se o escoteiro estava lá morto ou desacordado. É possível também que devido à profundidade e vegetação impedisse que urubus entrassem no local. 

Fuga

Há ainda quem crê que Marco Aurélio está vivo e fugiu depois de um plano bem arquitetado com a conivência do líder e de seus três companheiros. Para sustentar essa teoria existem os seguintes levantamentos:
1.      Juan um guia experiente já conhecia o Marins de um ano antes, ainda assim cometeu alguns deslizes durante a subida em 08/06/1985. Negligencia? Talvez...
2.      O líder desobedeceu ao rígido regulamento do escotismo que prevê nunca dividir o grupo; mesmo assim permitiu que um adolescente fosse à frente “abrindo caminho” (!) em busca de um auxilio que todos sabiam não seria encontrado num raio de muitos quilômetros;
3.      Foi constatado por um médico não haver rasura alguma no joelho do Osvaldo Lobeiro;
4.      Quase um ano após o incidente, no dia 13 de abril, o motorista de ônibus José Benedito da Silva compareceu à delegacia Piquete e informou que quatro dias após o desaparecimento de Marco, ele estava fazendo o último horário da linha Campos do Jordão – Pindamonhangaba, quando entrou um garoto no ônibus dizendo que não tinha dinheiro para pagar a passagem e disse que fazia parte de uma excursão de escoteiros onde seus amigos o haviam deixado para trás. José em seu depoimento informou recordar da cicatriz no lábio e o estrabismo no olho. Após ser indagado o porquê da demora em informar a policia, ele disse que pelo fato de ter conduzido um menor e possivelmente ser o escoteiro desaparecido, ficou com medo de ser apontado como cúmplice. O interessante nesse relato é que enquanto José estava dando seu depoimento, a família de Marco estavam numa sala a lado, onde combinou de seu irmão gêmeo entrar na sala do interrogatório perguntando se era ali que faziam RG, na mesma hora espantado José pulou da cadeira afirmando ser ele o garoto que havia dado carona. Após informarem a ele que se tratava de seu irmão gêmeo, o mesmo alegou não ter consentimento disso até aquele momento.
5.      Na cidade de Botucatu houve dois casos de duas mulheres terem visto o escoteiro. A primeira Josefina Lima da Silva, trabalhava num albergue, disse que um menino, possivelmente Marco, fora até o albergue pedido um passe para viajar até Sorocaba. Após informar que o estabelecimento não fornecia passes, o menino saiu e foi embora. A segunda aparição foi dada pela doméstica Aparecida Sueli Alexandre, ela relatou que um menino de uns quinze anos chegou à frente da casa perguntando onde ficava a cidade de Vitoriana em busca de emprego. Num dado momento da conversa o menino pegou sua carteira onde Aparecida conseguiu ler num documento o nome “Marco Aurélio” e após o mesmo ter pedido um copo de leite, a doméstica entrou gritando ter encontrado o escoteiro desaparecido, fato esse que assustou o menino que saiu correndo e nunca mais foi visto.

             Fatos adicionais

Sobre a vertente da lesão vale ressaltar que posteriormente durante toda a madrugada perdidos, Osvaldo caminhou normalmente sem o auxílio dos companheiros. Então por que a urgência e necessidade de ter separado Marco do grupo? Suspeito!

Mesmo após 30 anos do ocorrido, a bifurcação responsável pela separação do grupo continua sendo uma pedra que dificulta o caminho por lá. Foi feita uma simulação de passagem com pessoas carregando uma maca improvisada e para surpresa, com cuidado conseguiram em pouco tempo superar aquela obstrução no caminho. Chega-se à conclusão que o guia Juan agiu de forma proposital de negligência para encobrir ou facilitar algo.

    


Considerações finais

Faz menos de dois anos que fiquei sabendo sobre esse caso. Li em algum lugar, assisti alguns vídeos também, mas sempre tinha a impressão que “faltava alguma coisa”. Soavam genérico demais, superficial. Pensava “Como assim sumiu e ninguém achou?”, sempre desconfiei que tivessem mais coisas a serem explorada.
Em fevereiro de 2019, então decidi entrar em contato via e-mail como o jornalista Rodrigo Nunes, muito atencioso e prestativo, diga-se de passagem, que me vendeu um de seus exemplares. Quando chegou devorei em menos de vinte e quatro horas, tamanha era minha fome em descobrir tudo sobre o escoteiro. Foi um dos poucos livros que li tão rápido em minha vida. A investigação dele é realmente muito minuciosa e como eu já desconfiava tinham muitos fatos que não eram mencionados nos blogs e vídeos pela internet. A maioria citava três teorias como principais: fuga, abdução ou homicídio pelo instrutor. Decidi então eu mesmo explorar outras teorias que analisadas detalhadamente podem fazer mais sentidos que as “principais” soltas por aí. Geralmente não costumo dar minha opinião e me concentro em apenas mostrar os fatos. Obviamente não tem como ler um caso desses sem pensar mil coisas que pode ter acontecido ao escoteiro naquele dia. Dessas teorias que mostro acima, as que considero mais plausíveis são sequestro ou queda na fenda, e a que acho menos provável é abdução (apesar de acreditar muito em extraterrestre), apenas acho que nesse caso não se aplica pelos motivos que cito na sessão.

Minha principal fonte de pesquisa foi o livro Operação Marins – desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio 30 anos de mistério, do Rodrigo, tal como várias entrevistas e depoimentos da família que se encontram facilmente na internet. 

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